No dia 20 de novembro comemorou-se o Dia Nacional da Consciência Negra. Este dia vem sendo comemorado mais intensivamente desde meados dos anos 80 e em alguns estados e municípios ele é feriado, como por exemplo, no município de Betim onde é feriado desde 2008, extra-oficialmente, e oficialmente, desde 2009.
Ora, tal qual, por vezes, acontece com o Dia Internacional da Mulher onde uma ou outra pessoa que não está inteirada da dinâmica da sociedade, de como os dias comemorativos e feriados são feitos (criados) diz, "mas, por que não tem o dia do homem?". Assim, no feriado da Consciência Negra alguns alunos me disseram que uma professora "na Conchinchina" dissera, "mas, por que não há o feriado do Dia da Consciência Branca?"
Bem, como parece que algumas pessoas na nossa sociedade ainda não se deram conta da origem, do caráter, isto é, da vinculação ideológica desses dias, então abaixo, os enumerarei assinalando esse viés.
Feriados Nacionais e seu caráter
I - 1º de janeiro - Confraternização Universal = social;
II - 21 de abril - Tiradentes = cívico;
III - 1º de maio - Trabalhador(a) = social, trabalhista;
IV - 7 de setembro - Independência do Brasil = cívico;
V - 12 de outubro - Nossa Senhora Aparecida = religioso, cívico;
VI - 2 de novembro - Finados = religioso;
VII - 15 de novembro - Proclamação da República = cívico;
VIII - 25 de dezembro - Natal = religioso.
Como podemos ver, em análise superficial, a predominância dos feriados brasileiros é de caráter cívico (aqueles que dizem respeito à construção da nação) e religioso de matriz européia. Portanto, não faz sentido questionar qualquer feriado ligado à etnias que não a européia. Contudo, não há nenhum feriado ligado as etnias indígenas ou negras em ambito nacional. Há somente dias comemorativos.
Os feriados municipais de Betim e seu caráter
Os feriados municipais de Betim estão regulados pela Lei Nº 798/1967, que vem sofrendo alterações no decorrer dos anos. Assim, na redação dada pela Lei Nº 4726/2008 os quatro feriados municipais eram:
I - Sexta-feira da Paixão = religioso;
II - Corpus Christi = religioso;
III - 16 de julho - Padroeira de Betim = religioso;
IV - 7 de outubro - Nossa Senhora do Rosário = religioso.
Essa lei foi modificada pela Lei Nº 4731/2008 que revogou o inciso IV dando-lhe nova redação, a saber:
IV - 20 de novembro - Consciência Negra = étnico.
A Câmara de Betim foi bastante coerente ao reformar os feriados municipais, pois o 7 de outubro, dia de Nossa Senhora era um feriado cristão católico, onde a santa era a padroeira dos negros, desde a época da Colônia (veja-se a respeito a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos) e, agora, com a lei Nº 4731/2008, o feriado passa a ter um caráter étnico ligado ao povo negro de modo amplo e não só os cristãos. Nesse sentido, a Câmara Municipal de Betim soube ler a história dando-lhe sentido nos tempos atuais.
O GER - Grupo de Ensino Religioso - é espaço onde professores e pesquisadores divulgam estudos e experiências em Ensino Religioso, sobretudo, na Escola Pública.
29 de nov. de 2010
6 de ago. de 2010
O outro
O outro não é só o outro ser humano, mas, também a Natureza (o planeta, a fauna e a flora). Aqui, também o respeito se faz necessário.
Além, do outro ser humano e da natureza, há "o outro absolutamente Outro" (na expressão de Emanuel Levinas), isto é, o Transcendente, a divindade.
Ora, o outro é um tema fundamental para as relações humanas. Falar "outro" é o mesmo que falar "alteridade" (latim, alter = outro).
O outro pode ser qualquer pessoa (ou coisa). O fundamental é reconhecer que o outro tem seu direito, a sua dignidade, o seu jeito de ser (sua identidade) e deve ser respeitado enquanto outro. Assim, se dá a relação humana "eu <-> outro" onde deve imperar o respeito.
Eu tenho meus valores, o outro tem os valores dele. O entendimento se dá no respeito, isto é, na reciprocidade. Reciprocidade não é concordar com o outro simplesmente. De fato, o respeito se dá através da capacidade de dialogar com o outro - dinâmica de ouvir a palavra do outro e dizer a sua, com o dissenso e o consenso possíveis no processo.
Respeitar não é submeter-se, assim, como ser respeitado não significa subjugar o outro. Respeitar é reconhecer o próprio valor e o valor do outro.
Na tradição antropológica é preciso reconhecer que o outro é, sobretudo, o outro que está marginalizado. É preciso reconhecê-lo e valorizá-lo, dando-lhe a dignidade que merece.
Além, do outro ser humano e da natureza, há "o outro absolutamente Outro" (na expressão de Emanuel Levinas), isto é, o Transcendente, a divindade.
Ora, o outro é um tema fundamental para as relações humanas. Falar "outro" é o mesmo que falar "alteridade" (latim, alter = outro).
O outro pode ser qualquer pessoa (ou coisa). O fundamental é reconhecer que o outro tem seu direito, a sua dignidade, o seu jeito de ser (sua identidade) e deve ser respeitado enquanto outro. Assim, se dá a relação humana "eu <-> outro" onde deve imperar o respeito.
Eu tenho meus valores, o outro tem os valores dele. O entendimento se dá no respeito, isto é, na reciprocidade. Reciprocidade não é concordar com o outro simplesmente. De fato, o respeito se dá através da capacidade de dialogar com o outro - dinâmica de ouvir a palavra do outro e dizer a sua, com o dissenso e o consenso possíveis no processo.
Respeitar não é submeter-se, assim, como ser respeitado não significa subjugar o outro. Respeitar é reconhecer o próprio valor e o valor do outro.
Na tradição antropológica é preciso reconhecer que o outro é, sobretudo, o outro que está marginalizado. É preciso reconhecê-lo e valorizá-lo, dando-lhe a dignidade que merece.
13 de jun. de 2010
Refletindo a partir de um 'texto impensado' do orkut
O texto na minha scrapbook diz:
Porque será que nós dormimos na igreja, mas ficamos acordados num filme de 2 horas?
Porque será que é tão dificil falar sobre Deus, mas tão fácil falar sobre sexo?
Porque será que ficamos tão intediados quando lemos uma revista cristã, mas achamos facil ler qualquer outra revista?
Porque será que é tão fácil ignorar uma mensagem de Deus pela internet, mas tão fácil repassar as eróticas?
Porque será que as igrejas estão ficando cada vez menores, enquanto os bares e clubes crescem como nunca?
Pense sobre isso....
Você vai ignorar essa mensagem como todas as outras ou repassar?
80% de vocês não vão repassar isso.
O senhor disse:
"Mas qualquer que me negar diante dos homens,
eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus "
Lê baixinho:
“Jesus eu te adoro e preciso de ti, vem pra dentro do meu coração agora“. Envia para 15 pessoas e terás um milagre essa noite... mande agora !!! veja o tamanho da sua fé
bjuxx e otima semana!!!
Minha Resposta:
Bem, devo dizer com clareza que nunca imaginei responder ao texto que já vi muitas vezes funcionando como spam religioso... Mas, como também sou alguém que crê. Vou imaginar uma resposta legal, que imagino, seja digna de quem acredita que igreja é a casa de Deus. (Eu acredito que a igreja é o lugar onde as pessoas prestam culto a Deus; imagino que a casa de Deus é um pouquinho maior, tanto que exclamo assim: "Êta, mundão de meu Deus!" Ah! Claro, não preciso me filiar a Feurbach, pra dizer que algumas pessoas - sobretudo as fundamentalistas - dizem que são criadas por Deus, mas o moldam ao seu discurso impensado. Ainda bem que Deus é Deus e age por si e não necessariamente pelas orações jaculatórias de seus (in)fiéis!
Mas, voltando ao spam... Passemos a considerar as suas "teses":
I - Por que dormimos na igreja?
Enumero as respostas:
1) Porque estamos com sono;
2) Porque é um local seguro;
3) Porque é um local tranquilo (pode-se dizer, dormir com os anjos))...
4) Porque quem está discursando é muito pouco atraente...
II - Por que ficamos acordados em um filme de duas horas?
1) Talvez porque escolhemos assisti-lo;
2) Porque ele tem uma estrutura narrativa que não é monótona;
3) Porque pagamos o ingresso...
III- Por que é tão difícil falar sobre Deus?
- É difícil. Talvez por falta de conhecimento. Talvez porque não seja pra falar. Talvez seja pra contemplar. E, sobretudo, porque o blablabla não convence... Deus - dizem - é perfeito e nós somos imperfeitos, então, só podemos falar inapropriadamente sobre ele. Com o agravante de que via de regra queremos impôr a outros o deus que temos na nossa cabeça e não o Deus que nos supera sempre. Nós - os seres humanos - somos pequenos, mesquinhos... Deus é bondade pura, vai sempre além...
IV - Por que é tão fácil falar sobre sexo?
- Não sei se é tão fácil falar sobre sexo. Estou pensando em dialogar, onde não há dominação, mas, ao contrário, transparência, sinceridade, sensibilidade. Se fosse tão fácil os pais dialogariam mais com os filhos e estes teriam sabedoria vinda do lar e não da rua...
Agora, se a coisa for banalizada, não refletida. Bem, aí é fácil. Mas, não podemos chamar qualquer monólogo divulgado na mídia de diálogo - ainda mais diálogo profundo, humano.
V - Por achamos fácil ler qualquer outra revista (que não a cristã)?
- Certamente, porque a pessoa é um gênio. Imagina achar fácil ler uma Exame ou qualquer outra revista de economia. Imagina então as revistas de direito, ciências sociais, etc.
Aí, aí, aí. Suspeito que quem escreveu não suspeita que ler é "um trem" bem difícil. Tem gente que termina a faculdade e não aprende...
Mas, dialogar é possível...
Eu, por exemplo, gosto de revistas cristãs ou não. Claro, desde que bem escritas.
VI - Por que é fácil ignorar uma mensagem de Deus pela internet?
- Porque geralmente Deus não assina e sempre tem algum espertinho querendo falar, usurpando, o nome dele. Mas, há outras possibilidades... Na internet tudo é muito veloz e quase ninguém é levado a sério!
VII- Por que é fácil repassar as mensagens eróticas?
- Imagino que quem faz isso faz pelo mesmo motivo de quem repassa as mensagens religiosas... qual seja fazer prosélitos, seguidores. Mas, acredito, sobretudo, que repasse porque não sabe ler - pois se soubesse não repassaria... [Eu, aliás, tenho que ficar escrevendo pra "miguxos" do orkut pra não colocarem fotos e filmes pornôs nos seus perfis. Pois, além de mau gosto, é crime].
VIII - Por que será que as igrejas estão ficando cada vez menores?
- As igrejas não estão ficando cada vez menores. Na verdade elas se multiplicaram. Tem igreja de todo tipo. Tem umas bem grandes, inclusive, onde antes eram cinemas ou enormes casas de shows.
IX - Por que os bares e clubes crescem mais do que antes?
- Porque a população aumenta. Porque há muita propaganda incentivando ao consumismo e à beberragem. Porque nossa sociedade não incentiva o diálogo e a convivência sóbria entre as pessoas.
X - Concluindo: Pensar sobre isso - repassar ou não
- Caro amigo... foi trabalhoso pensar sobre isso, mas, foi bom. Foi bom aceitar o desafio. Portanto, sou-lhe agradecido. Também é óbvio - para mim - que não vou repassar uma mensagem como essa, assim como não repasso as eróticas.
Ah! De toda a mensagem, o que gostei mais foi a oração no finzinho. Ela é legal, não é proselitista e, acredito, forma a interioridade da pessoa embora ainda seja meio egoísta. Afinal, como dizem alguns cristãos, o Pai é nosso e não só meu.
Em tempo: Quando será que deixaremos de repassar emails, scraps e correntes por medo ou por falta de reflexão. Soa-me estranho que em pleno século XXI sejamos ainda tão superticiosos.
Porque será que nós dormimos na igreja, mas ficamos acordados num filme de 2 horas?
Porque será que é tão dificil falar sobre Deus, mas tão fácil falar sobre sexo?
Porque será que ficamos tão intediados quando lemos uma revista cristã, mas achamos facil ler qualquer outra revista?
Porque será que é tão fácil ignorar uma mensagem de Deus pela internet, mas tão fácil repassar as eróticas?
Porque será que as igrejas estão ficando cada vez menores, enquanto os bares e clubes crescem como nunca?
Pense sobre isso....
Você vai ignorar essa mensagem como todas as outras ou repassar?
80% de vocês não vão repassar isso.
O senhor disse:
"Mas qualquer que me negar diante dos homens,
eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus "
Lê baixinho:
“Jesus eu te adoro e preciso de ti, vem pra dentro do meu coração agora“. Envia para 15 pessoas e terás um milagre essa noite... mande agora !!! veja o tamanho da sua fé
bjuxx e otima semana!!!
Minha Resposta:
Bem, devo dizer com clareza que nunca imaginei responder ao texto que já vi muitas vezes funcionando como spam religioso... Mas, como também sou alguém que crê. Vou imaginar uma resposta legal, que imagino, seja digna de quem acredita que igreja é a casa de Deus. (Eu acredito que a igreja é o lugar onde as pessoas prestam culto a Deus; imagino que a casa de Deus é um pouquinho maior, tanto que exclamo assim: "Êta, mundão de meu Deus!" Ah! Claro, não preciso me filiar a Feurbach, pra dizer que algumas pessoas - sobretudo as fundamentalistas - dizem que são criadas por Deus, mas o moldam ao seu discurso impensado. Ainda bem que Deus é Deus e age por si e não necessariamente pelas orações jaculatórias de seus (in)fiéis!
Mas, voltando ao spam... Passemos a considerar as suas "teses":
I - Por que dormimos na igreja?
Enumero as respostas:
1) Porque estamos com sono;
2) Porque é um local seguro;
3) Porque é um local tranquilo (pode-se dizer, dormir com os anjos))...
4) Porque quem está discursando é muito pouco atraente...
II - Por que ficamos acordados em um filme de duas horas?
1) Talvez porque escolhemos assisti-lo;
2) Porque ele tem uma estrutura narrativa que não é monótona;
3) Porque pagamos o ingresso...
III- Por que é tão difícil falar sobre Deus?
- É difícil. Talvez por falta de conhecimento. Talvez porque não seja pra falar. Talvez seja pra contemplar. E, sobretudo, porque o blablabla não convence... Deus - dizem - é perfeito e nós somos imperfeitos, então, só podemos falar inapropriadamente sobre ele. Com o agravante de que via de regra queremos impôr a outros o deus que temos na nossa cabeça e não o Deus que nos supera sempre. Nós - os seres humanos - somos pequenos, mesquinhos... Deus é bondade pura, vai sempre além...
IV - Por que é tão fácil falar sobre sexo?
- Não sei se é tão fácil falar sobre sexo. Estou pensando em dialogar, onde não há dominação, mas, ao contrário, transparência, sinceridade, sensibilidade. Se fosse tão fácil os pais dialogariam mais com os filhos e estes teriam sabedoria vinda do lar e não da rua...
Agora, se a coisa for banalizada, não refletida. Bem, aí é fácil. Mas, não podemos chamar qualquer monólogo divulgado na mídia de diálogo - ainda mais diálogo profundo, humano.
V - Por achamos fácil ler qualquer outra revista (que não a cristã)?
- Certamente, porque a pessoa é um gênio. Imagina achar fácil ler uma Exame ou qualquer outra revista de economia. Imagina então as revistas de direito, ciências sociais, etc.
Aí, aí, aí. Suspeito que quem escreveu não suspeita que ler é "um trem" bem difícil. Tem gente que termina a faculdade e não aprende...
Mas, dialogar é possível...
Eu, por exemplo, gosto de revistas cristãs ou não. Claro, desde que bem escritas.
VI - Por que é fácil ignorar uma mensagem de Deus pela internet?
- Porque geralmente Deus não assina e sempre tem algum espertinho querendo falar, usurpando, o nome dele. Mas, há outras possibilidades... Na internet tudo é muito veloz e quase ninguém é levado a sério!
VII- Por que é fácil repassar as mensagens eróticas?
- Imagino que quem faz isso faz pelo mesmo motivo de quem repassa as mensagens religiosas... qual seja fazer prosélitos, seguidores. Mas, acredito, sobretudo, que repasse porque não sabe ler - pois se soubesse não repassaria... [Eu, aliás, tenho que ficar escrevendo pra "miguxos" do orkut pra não colocarem fotos e filmes pornôs nos seus perfis. Pois, além de mau gosto, é crime].
VIII - Por que será que as igrejas estão ficando cada vez menores?
- As igrejas não estão ficando cada vez menores. Na verdade elas se multiplicaram. Tem igreja de todo tipo. Tem umas bem grandes, inclusive, onde antes eram cinemas ou enormes casas de shows.
IX - Por que os bares e clubes crescem mais do que antes?
- Porque a população aumenta. Porque há muita propaganda incentivando ao consumismo e à beberragem. Porque nossa sociedade não incentiva o diálogo e a convivência sóbria entre as pessoas.
X - Concluindo: Pensar sobre isso - repassar ou não
- Caro amigo... foi trabalhoso pensar sobre isso, mas, foi bom. Foi bom aceitar o desafio. Portanto, sou-lhe agradecido. Também é óbvio - para mim - que não vou repassar uma mensagem como essa, assim como não repasso as eróticas.
Ah! De toda a mensagem, o que gostei mais foi a oração no finzinho. Ela é legal, não é proselitista e, acredito, forma a interioridade da pessoa embora ainda seja meio egoísta. Afinal, como dizem alguns cristãos, o Pai é nosso e não só meu.
Em tempo: Quando será que deixaremos de repassar emails, scraps e correntes por medo ou por falta de reflexão. Soa-me estranho que em pleno século XXI sejamos ainda tão superticiosos.
1 de mai. de 2010
BLOGAR-EDUCAR E AMOR VIRTUAL
PREMISSA– Esse texto tem a irreverência em combinar as três perspectivas, aparentemente dissonantes, entre o blog, a educação e poliamar. O pressuposto a ser trabalhado é de que blogar, educar e poli+amar tem o mesmo sentido. Para quem não conhece o poliamor e a suas dimensões, pode se sentir sem chão ao que pode ser desvelado aqui, ele é um modo original e originante utopia, sempre buscado de se amar; para quem entende que o propósito da educação vive em outro mundo, e que assim não está sendo atualizado e não sabe dialogar com os novos sujeitos desse mundo de tecnologias e mídia; e quem não descobriu ainda a relevância e significado de se tecer textos, pelo fato de estar acorrentado no texto dos outros e de outros com+textos, em um mundo virtual que é um dilúvio de textos sempre novos e online, será bem vindo a esse texto amoroso e deseducador. Amar e educar ou blogar é navegar e aprender a arte da navegação em mundos que precisam ser desvelados, tecidos, costurados e conectados. Utilizarei a expressão navegar como uma palavra chave e que faz o ELO, aliança, liame. Navegar e preciso, nadar é necessário no amar poli, no educar humanizado e no blogar redes de saberes construídos coletivamente em um mundo que metamorseia.
DOS GREGOS - O sentido de aprender a navegar, os gregos, em seus mares, viveram em suas três dimensões: do amar poli ilimitado, sem fronteiras patriarcais onde se combina o poder jovializador, renovador e sedutor do eterno EROS, da estética e da beleza de AFRODITE que encanta e reluz o ser mulher indomável e senhora de si sempre, de DIONÍSIO que descobriu no prazer e na paixão estão inscritos em nosso ser e nele se manifesta o divino e por fim ATENAS que é a musa que nos ensina que todo amor tem sentido quando nos torna hábeis na astúcia, na sabedoria, na justiça e na prudência dos amantes; do educar polis que Sócrates fez em Platão na ágora e nas ruas de Atenas, que Platão fez em sua academia e que Aristóteles em seus discípulos peripatéticos; e do blogar cósmico de Alexandre, o grande, discípulo de Aristóteles que na ânsia de expansão de seu império, levou o tecido e a tessitura da TEORIA GREGA, inicialmente no mundo helênico e depois ao ser conquistado politicamente por pelos romanos nele incorpora a ALMA GREGA através do modo de conceber a vida, o amor, a política e a educação. Isso se aplica ao ato de educar a partir das tecnologias e mídias, do amar em um mundo vivendo da dubiedade do amor monogâmico e do educar conteudista e sem vida.
ARTE DA NAVEGAÇÃO - É possível se navegar na internet? Como se deve navegar na internet? Fazer como isso acontecer? Só pode ensinar quem se iniciou nessa arte e conhece as profundezas dos mares dessa navegação ou ta nesse oceano. O paradigma da navegação foi descoberto pelos gregos. Para entender a navegação visualize a Grécia do século VII ao século III a.C. O povo grego, geograficamente vivia rodeado de águas, viviam em ilhas que os tornavam mais próximos de outras nações que de seus compatriotas, sendo assim viviam do mar e no mar. Eles viviam da navegação e em navegação todo o tempo. Para eles conhecer a arte da navegação era decisivo. Dessa experiência e necessidade eles descobriram e inventaram a arte de toda navegação: filosofia. É o paradigma a partir do qual todo o mundo se espelha. Será que eles inventaram a arte de toda navegação ao criar a filosofia? Para os gregos navegar, educar, amar e filosofar simbolicamente falando tinham o mesmo significado.
EDUCAR E NAVEGAR - O grego concebia e imaginava o homem e a mulher, como um barquinho no meio do mar, hora em um rumo certo, e em outros momentos, à deriva. A educação é entendida como uma escola da aprendizagem da arte da navegação. Seria feliz quem tinha a sabedoria do navegar e remar nos mares revoltos. Pode-se dizer que toda educação, seja ela FORMA ou INFORMAL, consiste em apreender e ensinar e aprender com as pessoas a arte da navegação. Ao mesmo tempo se ensina a aprender e aprender a ensinar a nadar em todos os mares e rios. Aprende-se a navegar e nadar sem naufragar, quando se aprende a nadar em nossa racionalidade, que é id, ego e superego, por isso essa racionalidade compreende o pensar, o desejar e a vontade de querer ser cada dia mais sensível e humano. Aprender a nadar e a navegar, aprender a ser racional, sensível e desejoso.
BLOG E EDUCAÇÃO - Nessa navegação para saber o que seria um BLOG encontrei uma definição na NET, curiosa e sugestiva, que aqui transcrevo: Will Richardson, um dos mais acérrimos defensores dos blogs na educação, diz que blog ar: “é escrever o que pensamos quando lemos o que os outros escrevem. Se continuarmos, outras pessoas eventualmente escreverão o que pensam quando nos lêem, e assim entraremos numa nova esfera de relações humanas. Será que esta revolução pacífica se vai dar entre professor e aluno? Assim espero!". A idéia do BLOG é tornar-se ferramenta que ANIMA, educa e desenvolva a coragem que supera os medos e as pseudo segurança perante o mundo, que nos amedronta e assusta; educar é tecer discursos online em meio às incertezas, no dilúvio das informações e assim sejam superados os medos do navegar e do nadar nos amores. Medo é sempre uma atitude primitiva e irracional do novo, da mudança e da ruptura. Temos que ir além do primitivismo e da irracionalidade. Exercício bom é esse de escrever. Educar é dialogar, desnudar-se, perder o medo do novo. É remar em mares desconhecidos. Escrever é desnudar-se diante de si dos outros e do mundo. É dizer o que pensamos e o que nos fez decidir por esse ou aquele cominho. Escrever é dialogo. É dirigir-se, sem ver mais ao mesmo tempo, vendo o presente e o ausente e em frente imaginativamente.
BLOGAR E EDUCAR - Essa fala é um bom insight e ela nos leva a pensar. Como os gregos, indo ao encontro de outras culturas, através desse espaço virtual se BLOGAR: comunicar, relacionar, educar. Viver é navegar, BLOGAR e relacionar-se. Muita gente busca isso hoje no MSN, ORKUT, e salas de bate papo. BLOG é ao mesmo tempo uma navegação ao encontro de outro, como um processo de comunicação; é um diálogo com as pessoas que estão no mundo virtual, para uma relação virtual-real. Acredita-se que é esse o sentido de um BLOG para os professores que trabalham no processo de educar. Eles devem se perguntar continuamente porque as pessoas prefeririam ficar horas e horas na frente de um computador e não mais se sentem bem em suas aulas? Por que se admiram mais uma XUXA, um LUAN SANTANA mais que o professor que ta ali frente a ele? Que tipo de relações eles projeta com esses ídolos e que e essas relações são de fato humanas, educativas?
A REDE MUNDIAL - Fiquei pensando... Que imagem se desenha no espaço virtual da rede de computadores, em cada BLOG escrito e em cada conexão virtual e com os possíveis e imagináveis leitores e interlocutores no espaço fractal? Palavras, idéias, pensamentos teci, de tecer e fazer rede, no espaço virtual. Onde será que está tudo isso? Basta alguém acessa a um computador em um cyber, em casa, em uma Instituição de ensino ou no local de trabalho e ter acesso a toda essa nova biblioteca, videoteca, fotografia+teca, torpedo+teca, mensagem+teça, ebooks, que a rede mundial virtual oferece e acessar? Onde será que essas palavras, idéias, pensamentos e imagens estão? Elas estão no fundo mar da virtualidade do mundo dessa nova modalidade de se relacionar? Educa, e ‘ama poli’ quem está tecendo da sala da aula ás salas da internet. Navegar é preciso, nadar é necessário! Tecer é uma responsabilidade.
ESTUDAR E VIVER- É interessante pensar que aprender a estudar é aprender a arte do navegar no mundo do texto. Nele tem uma realidade dita e de outra maneira que curiosamente precisamos imaginar para poder decifrá-la... Em alguns momentos da navegação temos que mergulhar para não naufragar. Quem navega encontra águas, rios, mares e oceanos ora calmos, ora tempestuosos. Textos e textos estão aí no mar das informações. Quem não souber navegar e nadar no Google, Wikipédia e youtube podem ficar ofuscados e tontos. Pode-se usar a imagem de que quem navega pode tanto amar como morre de medo de nadar. Navegar é preciso aprender a nadar é necessário. A vida no mundo é uma navegação e um nadar eternos? Nadar é mergulhar sem se deixar naufragar ou afogar. Não deveria ser a vida em sociedade: não se deixar afogar nas águas da corrupção, não estufar o peito e dizer que odeia política, parafraseando Bertold Brecht, não afundar na lama do individualismo solitário e consumista, não naufragar no rio da educação e do professor coca-cola e fluído.
APRENDIZES POLI – Ser aluno e ser professor nesse mundo que emerge é superar todas as distâncias de afeto, de curiosidade. Educar ou amar é tecer rede que faz tecido-texto, seja com os que estão presentes-presentes no mesmo espaço das salas - de toda natureza - na imaginação real-virtual. Nas duas dimensões se está fazendo parte da mesma tessitura: comunicação. Pode-se dizer que quando se faz conexão hoje em dia, é a mesma coisa que está presente, online ao mesmo tempo em todos os lugares acessíveis e ou off-line, em lugar nenhum com os que estão desconectados, aquém-além e como todos os internautas e navegantes desse mundo. Pensar que modelo de professor decorreria dessa concepção de educação foi o que me ocorreu a partir de um e-mail que eu recebi, sem assinatura, com o texto intitulado “NÃO SEJA PROFESSOR COCA-COLA”. Transcrevo literalmente algumas idéias que diz muito para essa reflexão. “Professores Coca-Cola, inegavelmente admiráveis pelo seu saber, disputadíssimos pelas instituições, comentado pelos alunos, ansiosos por experimentar desse saber, reconhecido em qualquer lugar só pelo nome e suas atitudes, entretanto com uma fórmula secreta. Essa postura faz cairmos, inegavelmente na metáfora principal desse artigo, pois o refrigerante já citado aqui tantas vezes possui características semelhantes a esse profissional - Conhecido, invejável, apreciado, disputado, comentado e detentor de uma fórmula secreta... Entretanto, o profissional do qual fala esse artigo não permite que o aluno saboreie o banquete das suas aulas e de toda a sua bagagem cultural e intelectual porque em todos os encontros acaba por guardar a sete chaves seus conhecimentos.”
AMAR POLI – Não se visualiza o amor poli nas ruas e nas praças. O que se observa é o amor sacrifício, ciumento, possessivo e inseguro. Não encanta apaixona e seduz quem não está ao mesmo tempo para além das formas patológicas de amar de nosso mundo. Amar e educar tem tudo a ver. Repete-se insanamente o mesmo modo de fazer educação repetida desde o tempo de meus ancestrais assim também pode ser no modo de amar. Só encanta quem está encantado. Só pode ser objeto de desejo quem é sujeito de seus desejos. Acredita-se que ainda se pode encantar e apaixonar aos alunos em nosso tempo, como os professores faziam nos anos passados. A relação educativa é uma relação de sedução e atração na perspectiva do conhecimento. Uma alternativa se acena. A atração e o encanto que os jovens sentem pelas tecnologias e mídias tais como, CAM, CÂMERA DIGITAL, CELULAR E INTERNET, nos apontam para uma luzinha no fim do túnel das aulas enfadonhas, conteudistas, de giz e cuspe e cópias escritas nos quadros... Como deve se dar a navegação para todos nós? Será que o que se busca hoje é partilhar a arte da navegação no mundo virtual? O que você pensa e imagina em cada BLOG lido? Que necessidades e desejos temos em relação ao nosso agir educativo? Estamos saciados e satisfeitos com o que fazemos?
CONTATOS - Para aprofundar sobre o POLIAMOR acesse um blog que trabalha teorias que fundamenta essa perspectiva de vida. http://polierostocantins.blogspot.com/
26 de fev. de 2010
Tempo de Silêncio
Nas aulas de E.R.E. teremos um Tempo de Silêncio de três minutos, em cada aula. Nessa ocasião pararemos todas as outras atividades para nos dedicar exclusivamente a esta.
O objetivo do Tempo de Silêncio é possibilitar o encontro do aluno consigo mesmo, aumentando - dessa forma - o conhecimento de si mesmo. Além, claro, de estar treinando para ocasiões que exigem silêncio, como por exemplo, provas.
Como fazer?
Assente-se na cadeira, com a coluna ereta, o olhar horizontamente dirigido para a frente, as pernas um pouco esticadas, estando os pés apoiados no chão, pouco adiante da linha dos joelhos (evitando flexão das pernas para trás). Boca fechada, respiração silenciosa pelo nariz. Importante: Cuide de si; não se incomode com vizinhos. Afinal, cada aluno prestará contas do que fizer (ou não)!
O objetivo do Tempo de Silêncio é possibilitar o encontro do aluno consigo mesmo, aumentando - dessa forma - o conhecimento de si mesmo. Além, claro, de estar treinando para ocasiões que exigem silêncio, como por exemplo, provas.
Como fazer?
Assente-se na cadeira, com a coluna ereta, o olhar horizontamente dirigido para a frente, as pernas um pouco esticadas, estando os pés apoiados no chão, pouco adiante da linha dos joelhos (evitando flexão das pernas para trás). Boca fechada, respiração silenciosa pelo nariz. Importante: Cuide de si; não se incomode com vizinhos. Afinal, cada aluno prestará contas do que fizer (ou não)!
"O homem está
condenado à liberdade!"
(J.P. SARTRE)
13 de jan. de 2010
Do espírito de ovelhas
Abri guerra - no orkut - contra os vassalos do "faça, beba, monte". Diante da situação, vou citar - em meu socorro - um texto do Mário Quintana que vi no perfil da Joice.
O Supremo Castigo
Em todos os aeródromos,
em todos os estádios,
no ponto principal de todas as metrópoles, existe
- e quem é que não viu?
- aquele cartaz...
De modo que, se esta civilização desaparecer
e seus dispersos e bárbaros sobreviventes
tiverem de recomeçar tudo desde o princípio
- até que um dia também tenham os seus próprios arqueólogos
- estes hão de sempre encontrar,nos mais diversos pontos do mundo inteiro,
aquela mesma palavra.
E pensarão eles que coca-cola era o nome do nosso Deus.
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