12 de nov. de 2009

V Congresso Nacional de Ensino Religioso

Começa hoje em Goiânia o V CONERE - Congresso Nacional de Ensino Religioso. O grande assunto a discutido e compartilhado durante o Congresso é a Docência em Formação e Ensino Religioso. - Contextos e Práticas. Junte-se a isso, a possibilidade de encontro entre os profissionais e pesquisadores do Ensino Religioso. Tempo oportuno, tempo de confraternazar e compartilhar, levando em conta os desafios que se nos apresentam. O promotor do congresso é o Fonaper - Fórum Permante do Ensino Religioso, entidade que tem participado ativamente das discussões concernentes ao Ensino Religioso. Abaixo o banner do Congresso.
Além do FONAPER também participam da organização o CIERGO - Conselho de Ensino Religioso do Estado de Goiás e a UCG - Universidade Católica de Goiás, em cujo campus se dará o Congresso.
Maiores informações veja o site do evento: Aqui.

4 de nov. de 2009

Comentário a "Brasil" de Cazuza


Cícero Clarindo de Souza

1) O autor afirma que não o convidaram para uma festa pobre. E, aqui, é fundamental, não confundirmos festa pobre com festa de pobre. Ora, sabemos que festa pobre é festa ruim, com pouca comida e bebida. A música costuma ser horrível. Festa feita por pobre nunca é festa pobre, pois, há fartura de tudo, sobretudo, alegria. Essa festa pobre, a que o autor se refere, foi armada pelos homens para o convencerem... Que horror! Festa armada é arapuca, armadilha onde o dono da festa pretende obter vantagens ilegais e, com certeza, imorais de seus convidados. O personagem, sujeito da composição, a quem de ora em diante, chamaremos de cidadão, foi convidado a pagar sem ver toda a droga que fora produzida desde antes dele nascer. Mas, do que é que ele está falando? Ora, precisamos ir ao assunto principal da composição, resumido, no título: Brasil. Então, podemos concluir que o cidadão fala do sistema, da sociedade brasileira. Nela ele paga altos impostos e obtém droga, isto é, serviços públicos, rodovias e cuidados gerais do Estado com pouca qualidade (uma verdadeira droga). Essa droga vem desde antes de eu nascer (pois, o cidadão é jovem). Na verdade, essa droga vem desde o nascimento do Brasil, explorado como colônia e, posteriormente, com as benesses concedidas aos amigos do “rei de plantão”: as sesmarias, as capitanias hereditárias, etc.

2) A letra continua apontando contradições. Não oferecem nada pra aliviar a situação do cidadão que trabalha (nem um cigarro, essa droga que dizem aliviar tensões). O sujeito trabalha, trabalha e não recebe nenhum conforto. Favores, conforto... são reservados aos chefes. O cidadão vê as dívidas aumentando em proporção geométrica, com o uso do cartão de crédito, que feito navalha, de juros extorsivos, vai cortando o pescoço de chefes de família.

3) Pô, Brasil, mostra a tua cara! Sabemos que tem algo errado. Queremos saber quem está levando vantagem enquanto nós afundados nas dívidas e(x)ternas. Quem é (Brasil) o teu sócio no poder? Brasil, revela tua face! Sê fiel, confia em seus trabalhadores, seu povo , seus filhos.

4) Não fui contemplado pela sedução fantástica da TV; não me subornaram... Será que vou sobreviver, sendo honesto? A TV não está no ar pra informar. Ela está programada para vender: "Beba coca-cola!" Trata os cidadãos como tutelados que só podem dizer: - Sim, sim!

5) Brasil tão grande, tão pequeno... Não vou te trair. Não, eu não vou te trair! A hora é chegada. Acorda Brasil! Você é dos seus filhos, todos eles, não só a minoria. Vai Brasil... mostra a tua cara. Cara de trabalhadores, agricultores, sem-terras, indígenas, negros, pobres de todos os cantos do mundo. Brasil viva a justiça social. Brasil chega de demagogia!

3 de nov. de 2009

Comentário a "Que país é este" - Renato Russo e a Legião Urbana

Cícero Clarindo de Souza

1) Nas favelas e no senado, diz o autor, há sujeira pra todo lado. Ora, cabe-nos perguntar que tipo de sujeira há nesses lugares? A resposta pode dizer que nas favelas é o tráfico de drogas e no senado o tráfico de influência. Nas favelas é o esgoto a céu aberto. No senado as leis (atos secretos) feitas em causa própria. A corrupção anda solta, está em todo lugar: - Ninguém respeita a Lei Maior! Então, quando dizem acreditar no futuro da nação só pode ser ironia. Mas, é isso, exatamente, o que vários políticos dizem: "Esse país tem um grande e brilhante futuro!"

2) Que país é esse? Quer dizer, como é possível fazer esse discurso? É, quase, inacreditável que alguém o faça! Quanto, simultaneamente, age como sangue-suga dos recursos da nação.

3) Em várias regiões do país (Amazonas, Araguaia, Baixada Fluminense, Mato Grosso, Minas Gerais e o Nordeste) os conflitos armados se multiplicam. É a luta pela terra, a violência urbana, o narcotráfico. Só os mortos "vivem em paz". O povo vive a derramar o sangue pela justiça, contra a lei dos documentos (forjados) que só beneficiam os poderosos, isto é, o patrão. Afinal, quem paga manda! E, por vezes, a república (res = coisa, publica = da nação) é privatizada segundo os interesses de alguns.

4) O Brasil, do final do século XX, é Terceiro Mundo e piada do general De Gaule, que disse que o Brasil não era um país sério, no exterior. Contudo, acredita-se que o país vai ficar rico ao vender as terras indígenas, sobretudo na Amazônia, com sua rica biodiversidade, num leilão para o agrobusiness.

5) Diante disso só resta gritar, indignado, como legião, como povo em protesto: Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse que não reconhece o seu povo, vivendo de costas para ele e dizendo sim, ou sim senhor ao poderes externos.

Por fim, cabe-nos lembrar que nessa época os compositores ligados à juventude faziam música para exercitar os músculos da mente. Atualmente, infelizmente, a mídia incentiva músicas, se podemos chamá-las assim, que incentivam somente a atividade dos músculos dos glúteos.

22 de out. de 2009

REFLETINDO SOBRE SI MESMO E A PÁTRIA (ou) EU SUJEITO SITUADO

Cícero Clarindo de Souza

O ser humano é um ser situado, isto é, ele encontra-se em um determinado lugar. Embora, o ser humano sejá móvel (ele é um auto-móvel). Essa mobilidade tem ponto de partida e ponto(s) de chegada. O ser humano está situado no espaço e no tempo. Nesse sentido, cada um é filho do seu tempo e da sua região (aldeia).
Ora, abaixo, há quatro textos que julgo importantes para estudarmos o espaço onde estão situados os brasileiros. então, essa reflexão é sobre o ser humano e sobre o Brasil.
Há algumas perguntas que esses textos ajudarão a responder: 1) O que é Pátria? 2) Que atitude devemos ter para com a Pátria? 3) Pátria e governo são a mesma coisa? Sim? Não? Por que? 4) Qual é a identidade do Brasil?
Cada texto abaixo terá as suas próprias questões. Há quero lembrar que essa reflexão é fruto de minha vivência docente com alunos do Ensino Fundamental. Ora, eu ficava extremamente incomodado com a questão do amor à Pátria. Havia várias tentativas de cantar o Hino Nacional. Mas, não se percebia qualquer entusiasmo nos alunos. Julgo que isso se dá por dois motivos: 1) A falta de conhecimento dos fundamentos: os alunos não sabem o que é a Pátria e 2) resquícios entre os professores de um mal-estar em relação à Pátria, por conta que viveram o seqüestro dele pela Ditadura dos anos 64-84. Portanto, nosso objetivo, aqui, na ótica do Ensino Religioso, é buscar o sentido de cada coisa na vida.


1º Texto:

Hino Nacional do Brasil
Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança a terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Parte II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida",
“Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça à clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

O Hino Nacional Brasileiro tem letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870 - 1927) e música de Francisco Manuel da Silva (1795 - 1865).

Atividades de compreensão do texto:


*) Após copiar o texto, analisar o sentido de cada estrofe. Para tanto, procure o sentido das seguintes palavras: 1- Plácidas; 2- Brado; 3- Retumbante; 4- Fúlgidos; 5- Penhor; 6- Intenso; 7- Vívido; 8- Resplandece; 9- Impávido; 10- Colosso; 11- Esplêndido; 12- Fulguras; 13- Florão; 14- Garrida; 15- Seio; 16- Lábaro; 17- Ostentas; 18- Flâmula; 19- Clava.


2º Texto

Hino da Independência

Já podeis da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade,
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil;
Houve mão mais poderosa
Houve mão mais poderosa
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil;
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiros!
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil;
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.

Hino da Independência do Brasil tem letra de Evaristo da Veiga e música de D. Pedro I.

*) Atividades do 2º texto:

1) Vocabulário do Hino da Independência: 1- Bravo; 2- Temor; 3- Servil; 4- Grilhões; 5- Forjava; 6- Perfídia; 7- Astuto; 8- Ardil; 9- Ímpias; 10- Falanges; 11- Hostil; 12- Garbo; 13- Varonil; 14- Resplandece.

2) Interpretar o sentido de cada verso do Hino Independência. Reescreva o texto em linguagem atual.

3º texto

Que País é Este

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

No amazonas, no araguaia iá, iá,
Na baixada fluminense
Mato grosso, minas gerais e no
Nordeste tudo em paz

Na morte o meu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis e documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico

Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

*) Atividades de "Que país é este"

1) Vocabulário amplo (Não basta consultar o dicionário, mas é necessário ampliar, perguntando, pesquisando com adultos, professores, sobretudo de história e geografia, de "Que país é este": 1) Constituição; 2) Amazonas; 3) Araguaia; 4) Baixada fluminense; 5) Mato grosso; 6) Gerais; 7) Nordeste; 8) Terceiro Mundo; 9) Exterior; 10) Almas; 11) Leilão.

2) Interpretar, buscando o sentido, o texto de "Que país é este" - estrofe por estrofe.


4º texto

Brasil - Cazuza
Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
Apagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
Apagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...(2x)

Confia em mim
Brasil!!

*) Atividades de "Brasil"

1) Interprete, isto é, o que Cazuza quer mostrar ao dizer o que disse.


Sou-lhe agradecido por fazer esse trabalho. Espero que tenha ajudado você a conhecer melhor o seu, o nosso país.

Abraços do Cícero.

26 de jun. de 2009

Articulando os povos indígenas, o 'descobrimento' e Tiradentes

Cícero C. Souza

Quando em 1500 os portugueses chegaram ao Brasil disseram que o descobriram. Mas, na verdade, o invadiram porque, na expressão de Benedito Prezia, "esta terra tinha dono", a saber, os povos indígenas.

1. Por que os portugueses disseram que descobriram o Brasil?

2. Quantos povos indígenas havia no Brasil, em 1500? E, quantos eram os indígenas?

Quando comemoramos o Dia dos Povos Indígenas (19/4) queremos lembrar, no Brasil, a resistência desses povos aos processos sócio-históricos que tentam sepultá-los. Ora, do (des)encontro entre europeus e indígenas (ameríndios) tivemos como resultado o genocídio desses. Milhões de indígenas foram mortos por doenças, armas e culturas alienígenas.

3. Por que falamos "Dia dos Povos Indígenas" e não "Dia do Índio"? Que diferença há entre um nome e outro? [Aqui, é importante analisar os vocábulos. Ver o significado de "povo, povos" e, por outro lado, o significado de "índio, indivíduo".]

4. Desde quando existe o Dia dos Povos Indígenas? Por que existe o Dia dos Povos Indígenas? [O primeiro aspecto da questão refere-se à data inicial, o segundo aspecto, pergunta pela razão de existir um dia dedicado aos povos indígenas.]

5. Por que os povos indígenas tem que resistir aos processos sócio-históricos de outros povos? O que é isso: processos sócio-históricos?

6. O que significa - no texto - sepultá-los? [Sepultar é sinônimo de enterrar. Compare: Uma pessoa é sepultada quando? E, um povo (ou vários povos) quando é sepultado?]

7. Por que se fala em (des)encontro? [Mineiramente, encontro é trem bom. Significa "correr para o abraço". E a gente abraça quem gosta, quem é próximo. O que permite dizer que não houve encontro entre europeus e indígenas na época da colonização?]

8. O que é genocídio? [Recorra ao dicionário e busque aplicar ao que aconteceu na história do Brasil.]

9. O que é - no texto - cultura alienígena? [Os norte-americanos, digo, estadunidenses é que gostam de falar em "alien". Qual é o significado da palavra no texto "Articulando (...) e Tiradentes"?]


No século XVIII, Tiradentes propõe, junto com outros, que o Brasil ganhe soberania - isto é, seja livre (diante de Portugal).
O processo de libertação do povo brasileiro ainda encontra-se em fase de construção. A cada dia aparecem novos portugais, novas metrópoles, novos senhores querendo submeter o povo brasileiro.
É preciso - na ótica do Ensino Religioso - que "busquemos o sentido de nossa vida" enquanto pessoas individuais e enquanto povo brasileiro.

10. Você tem o costume de refletir sobre os acontecimentos de sua vida? Cite duas datas importantes em sua vida. Por que essas datas são importantes?


Abaixo, você encontra alguns textos que permitem fundamentar as respostas às questões acima.
Bom trabalho!

O encobrimento do Brasil

(3/10/1999)

JOSÉ MURILO DE CARVALHO

Em 1992, por ocasião dos 500 anos da viagem de Colombo, houve intenso e extenso debate nas Américas e na Europa sobre o vocabulário adequado para descrever a chegada dos europeus ao continente. Uma crítica devastadora foi então feita ao uso da palavra "descobrimento", ou "descoberta", por representar um insuportável etnocentrismo europeu. De fato, só foi descobrimento para os europeus. Aqui viviam, em 1492, cerca de 50 milhões de habitantes, não muito menos que a população da Europa. A Cidade do México, capital do império asteca, tinha 200 mil habitantes, mais talvez do que qualquer cidade européia. Paris tinha na época cerca de 150 mil.

Falar em "descobrimento", argumentou-se, implicava dizer que essas gentes e civilizações só tinham passado a ter existência real após a chegada dos europeus. Implicava ainda dar um tom falsamente neutro a um processo que foi violento e genocida. Os 5 milhões de nativos da Hispaníola, aonde chegou Colombo, desapareceram em um século. Os 25 milhões do planalto mexicano foram reduzidos a 2 milhões no mesmo período. Nos Andes, 10 milhões tinham virado 1,5 milhão ao final do século 16. Um inegável genocídio, já denunciado na época por Las Casas em seu famoso libelo "A Destruição das Índias Ocidentais".

Sete anos depois, o Brasil entra na febre dos seus 500 anos. No entanto, nas celebrações oficiais e oficiosas, nas reportagens da mídia, nas exposições, nos seminários acadêmicos, a terminologia empregada para descrever a chegada dos portugueses a nossas praias é uma só. Com uma ou outra exceção, em geral vinda de algum chato inconveniente, celebra-se o descobrimento do Brasil. Os (poucos) que leram a carta de Caminha exibem erudição usando o equivalente arcaico "achamento". A quase unanimidade vocabular deixa perplexos observadores de outros países. Perguntam-se se os brasileiros não tomaram conhecimento do debate de 1992.

Se tomamos, ou não lhe demos importância, ou achamos que ele não nos dizia respeito, ou as duas coisas -a primeira por causa da segunda. Segundo a última hipótese, para os brasileiros os problemas relacionados à palavra descobrimento só existiriam no caso da América espanhola. A acusação de eurocentrismo é descartada, talvez por desprezo pelo menor número e menor complexidade social de nossos nativos.

O genocídio que a palavra encobre seria também fenômeno exclusivamente espanhol, fruto da truculência dos conquistadores.

Em nosso caso, as relações dos portugueses com os nativos teriam sido amigáveis. Nada melhor para exprimir esta visão do que a consagração da carta de Caminha como certidão de nascimento do país. A carta só foi publicada em 1817, mas tem a grande vantagem de apresentar imagem quase idílica do encontro entre portugueses e nativos. Ela permite generalizar essa imagem para toda a história das relações entre os dois povos.

Imenso encobrimento. A população nativa da parte portuguesa era sem dúvida muito menor do que a da parte espanhola. Mesmo assim, ela foi calculada entre 3 e 5 milhões à época da chegada de Cabral. Digamos 4 milhões. Isso equivalia a quatro vezes a população de Portugal. O bandeirante Raposo Tavares diz ter visto em 1653, ao longo das margens do rio Madeira, aldeia de 150 mil almas, maior do que o Rio de Janeiro de 1822. Apesar do menor número, o genocídio não foi menor em termos relativos. Às vésperas da Independência, o número de indígenas foi calculado por Veloso de Oliveira em 800 mil, numa população total de 4,4 milhões. Ao final de três séculos, a população da colônia portuguesa era quase a mesma de 1500, com a diferença de que tinham desaparecido 3 milhões de nativos, média de 1 milhão por século.

A documentação sobre a mortandade é abundante para os que não escolhem limitar-se à carta de Caminha. Como na parte espanhola, a devastação se deveu à violência e às doenças trazidas pelos invasores: varíola, sarampo, gripe, peste. Não tivemos um Las Casas para denunciar o crime, mas os depoimentos de Anchieta, Nóbrega, Cardim, Vieira e outros não deixam margem a dúvida.
Alguns exemplos. Anchieta fala da morte por doença, em 1562, de 30 mil índios em um período de dois ou três meses. A violência e a escravidão, segundo o mesmo jesuíta, dizimaram em alguns anos 80 mil índios das missões da Bahia. O padre espantava-se com a rapidez com que "gastava gente", era coisa "em que não se pode crer". Simão da Silveira conta que 500 mil tupinambás foram dizimados no século 17 graças aos esforços do capitão Bento Maciel Parente, que se aliara a tribos rivais, copiando a tática de Cortés no México.

A marca portuguesa talvez esteja no fato de que o próprio Anchieta tenha escrito um panegírico a Mem de Sá, o exterminador de índios. A principal tarefa do terceiro governador-geral foi fazer guerra aos donos da terra, estivessem ou não aliados aos franceses. Exterminou os caetés como castigo por terem ousado moquear e comer o bispo Sardinha. Vangloriava-se de ter destruído todas as aldeias tupiniquins em Ilhéus e de ter enfileirado uma légua de cadáveres deles na praia. O extermínio dos tamoios, aliados dos franceses, foi cantado por Anchieta em "De Gestis Mendi de Saa", em versos que lembram a crueza, embora não a qualidade, dos de Homero. Segundo o "Apóstolo do Brasil", a melhor pregação para aquela gente bárbara era "espada e vara de ferro".

Foi este o Las Casas que nos coube. A ambiguidade diante da violência foi também presente em Vieira, que condenava a escravidão dos índios, mas aceitava a dos africanos. Nenhuma ambiguidade, agora já entre brasileiros, está presente na exaltação dos bandeirantes como símbolo do orgulho paulista. Durante ataque aos guaranis das missões jesuíticas, esses predadores e escravizadores de índios e exterminadores de quilombos "provavam o aço de seus alfanjes em rachar os meninos em duas partes, abrir-lhes as cabeças e despedaçar-lhes os membros", na descrição de Capistrano de Abreu.

O mesmo empreendimento colonizador que dizimou em três séculos 3 milhões de nativos foi também responsável pela importação, nos mesmos três séculos, de 3 milhões de escravos africanos, cuja sorte não foi melhor.

Se as palavras não são para encobrir as coisas, só há uma expressão para descrever o que se passou desde 1500: conquista com genocídio dos índios, seguida de colonização com escravidão africana. Daí viemos, em cima disso foram construídos os alicerces de nossa sociedade. Descobrir o Brasil hoje é tirar o véu que o "descobrimento" lança sobre este lado inescapável de nossa herança. Algum chato poderá mesmo perguntar por que não se aproveita o ímpeto celebratório para uma ação de impacto em benefício dos que pagaram a conta desses 500 anos.

• Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_6_4.htm.

Povos Indígenas no Brasil atual




Introdução
Quem são?
Em pleno século XXI a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Estima-se que, na época da chegada dos europeus, fossem mais de 1.000 povos, somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Atualmente encontramos no território brasileiro 231 povos, falantes de mais de 180 línguas diferentes.
A maior parte dessa população distribui-se por milhares de aldeias, situadas no interior de 634 Terras Indígenas, de norte a sul do território nacional.
Segundo os dados do Instituto Socioambiental (ISA), a população indígena no Brasil atual está estimada em 600 mil indivíduos, sendo que deste total cerca de 450 mil vivem em Terras Indígenas (e, em menor número, em áreas urbanas próximas a elas), enquanto outros 150 mil encontram-se residindo em diversas capitais do país. É importante ressaltar que o censo populacional realizado em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que a parcela da população brasileira que se auto-declarou genericamente como "indígena" alcançou a marca de 734 mil pessoas.

Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/introducao

Povos indígenas do Brasil

Wikipédia, a enciclopédia livre

Os povos indígenas no Brasil incluem um grande número de diferentes grupos étnicos que habitaram o país antes da chegada dos europeus em torno de 1500. Diferentemente de Cristovão Colombo, que achava que tinha atingido as Índias Orientais, o português, mais notavelmente por Vasco da Gama, já tinha atingido a Índia através do Oceano Índico, rota pela qual atingiu o Brasil.

A dificuldade em classificar os povos indígenas do Brasil vem do fato de que a violência, durante cinco séculos de colonização em que tiveram tomadas suas terras, destruídos muitos de seus meios de sobrevivência, proibidas suas crenças religiosas, sendo explícita ou disfarçadamente escravizados, provocou enorme mistura de povos e transferência de áreas. [2]

Origens e história

Pesquisas arqueológicas em São Raimundo Nonato, organizadas pela arqueóloga Niède Guidon no interior do Piauí, registram indícios da presença humana datados como anteriores a 10 mil anos.[3] A maioria dos pesquisadores acreditam que o povoamento da América do Sul deu-se a partir de 20 mil a.C.[4]

Indícios arqueológicos no Brasil apontam para a presença humana em achados datados de 16.000 a.C., de 14.200 a.C. e de 12.770 a.C. em Lagoa Santa (MG), Rio Claro (SP) e Ibicuí (RS).[4] Em Lapa Vermelha, (Minas Gerais), foi encontrado um verdadeiro cemitério com ossos datados em 12 mil anos, o primeiro dos quais encontrado por Annette Laming-Emperaire na década de 1970 e que foi "batizado" de Luzia[3] e que parecia mais aparentada com os aborígenes da Austrália ou com negrito das Ilhas Andaman.

Extermínio

Estimativas da população indígena na época do descobrimento apontam que existiam no território Brasileiro, mais de 1 000 povos, sendo dois a seis milhões de indígenas. Hoje em dia, são 227 povos, e sua população está em torno de 300 mil. As razões para isso são muitas, desde agressão direta de colonizadores a epidemias de doenças para as quais os índios não tinham imunidade ou cura conhecidas.

Durante o século XIX, com os avanços em epidemiologia, casos documentados começaram a aparecer, de brasileiros usando epidemias de varíola como arma biológica contra os índios. Um caso "clássico", segundo antropólogo Mércio Pereira Gomes, é o da vila de Caxias, no Sul do Maranhão, por volta de 1816. Fazendeiros, para conseguir mais terras, resolveram "presentear" os índios timbira com roupas de pessoas infectadas pela doença (que normalmente são queimadas para evitar contaminação). Os índios levaram as roupas para as aldeias, e logo logo, os fazendeiros tinham muito mais terra livre para sua criação de gado. Casos similares ocorreram por toda América do Sul[5] As "doenças do homem branco" ainda afetam tribos indígenas no Amazonas. [6]

(...)

Dia do Índio

O Dia do Índio, 19 de abril, foi criado pelo presidente Getúlio Vargas através do decreto-lei 5540 de 1943, e relembra o dia, em 1940, no qual várias lideranças indígenas do continente resolveram participar do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "homens brancos". Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas após a intervenção do Marechal Rondon apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil

CONTANDO NOSSA PRÓPRIA HISTÓRIA - I Parte

Tupinambá

Éramos várias Nações de etnias diferentes (estima-se mais de 1000). Habitávamos este território, hoje chamado de Brasil, onde cada povo tinha sua cultura e tradição. Éramos milhões de indivíduos povoando esta terra.

Então surgiram, no horizonte, embarcações cheias de figuras estranhas, jamais vistas pelos nossos antepassados: homens vestidos espalhafatosamente, com o corpo todo coberto -- inadequados ao clima existente --, com uma fala esquisita, incompreensível aos ouvidos. Desembarcaram, e sem pedir licença pisaram em nossas terras (em nossos lares).

Nossos ancestrais não sabiam que, aquele exato momento, dava início ao declínio de uma raça! Estes invasores trouxeram paus-de-fogo, micróbios letais e uma cultura incabível a nossa realidade. Sendo assim, Nações inteiras foram dizimadas: milhares de pessoas mortas -- o maior genocídio cometido em todos os tempos. - E como se não bastassem todas essas catástrofes, as nossas riquezas naturais foram roubadas, eram elas pedras preciosas, nossa fauna, e nossa flora. Os nossos invasores passaram a ser detentores de tudo que possuíamos. Ainda hoje, nos dias hodiernos, usufruem o que retiraram do nosso solo sagrado.

Essas pessoas, até então desconhecidas, queimaram as habitações, violavam os locais sagrados, destruíram as plantações, estupraram as mulheres e mataram todos aqueles que não se submeteram às suas ordens. Ceifaram a vida de todos que encontraram no caminho, dos mais velhos às crianças -- de todas as idades. Foi um verdadeiro crime de guerra! Uma barbárie foi implantada pelos gananciosos, que violaram nosso direito originário. Soldados desses invasores recebiam soldos por retirarem a maior quantidade de testículos dos homens, das mais variadas Nações encontradas, e entregue aos seus superiores: estratégia brutal utilizada para pôr fim à história dos verdadeiros donos do território que foi invadido (regiões próximas ao litoral). Os mais resistentes fugiram floresta adentro, os capturados foram submetidos ao regime de escravidão e proibidos de exercerem a liberdade de expressão (cultura e tradição). Várias línguas se perderem ao longo do tempo, através dessas medidas proibitórias. Os que não puderam fugir tiveram seus hábitos modificados à força, foram submetidos a práticas alheias, tiveram de modificar os seus hábitos alimentares, a forma com a qual se vestiam, a linguagem e as crenças; sendo, desta maneira, imposta à miscigenação.

Fazia parte da cultura dos invasores, os chamados por nós "homens brancos", a escrita e instrumentos poderosos capazes de fazer tombar vários corpos sem vida ao chão. Essa condição proporcionou-lhes vantagens para que se tornassem vitoriosos. -- Alguns dos nossos, chegaram a acreditar que tais brancos fossem deuses enviados para levá-los a um lugar melhor para se viver. Em contrapartida, éramos vistos como seres humanos selvagens, como animais encarnados à forma humana (visão preconceituosa ainda existente na sociedade em que vivemos).

Séculos se passaram e ainda lutamos! Resistimos contra todas as práticas de violação dos direitos humanos, sofridas até hoje. Guardamos em nossas entranhas os nossos segredos, os nossos hábitos e crenças; em nossos genes continua guardado o espírito de sobrevivência. Ainda lutamos. Para termos direito de continuarmos à vida, retomando nossos territórios, resgatando através dos nossos velhos nossa verdadeira identidade. Ainda somos discriminados, descaracterizados e ridicularizados pelos nossos costumes, nossos valores. Preservamos a Mãe Natureza e amamos tudo que existe, não possuímos a ganância, a vontade de acumular bens enquanto os outros vivem na miséria. Acreditamos nos espíritos dos nossos antepassados, na nossa medicina natural, cantamos e dançamos para reverenciar e agradecer ao nosso Deus por tudo que alcançamos. Para nós não existe o feio e o pobre, nem o pior. O que nos indigna é o mal impregnado que destrói tudo e todos: estão destruindo o planeta, conseqüentemente a vida de todos, não conseguem parar porque o orgulho que possuem não permite enxergar a verdadeira essência, são robôs-humanos, teleguiados para autodestruição. Não podemos mais caçar, pescar, e nem plantar, porque os herdeiros das Nações hipócritas e gananciosas continuam praticando o extermínio, através da sua cultura progressista. Eles podem tudo, nós não podemos nem mesmo ter o direito de continuar vivendo, lutando para que nossas futuras gerações possam perpetuar. -- Nós não queremos uma luta de raças, pois acreditamos que, apesar das diferenças, o ser humano compõe uma única raça, portanto somos todos diferentes e ao mesmo tempo todos iguais. O que queremos é que essa igualdade vista por nós, seja vista por todos: queremos igualdade social e respeito.

No entanto, representamos uma ameaça ao mundo dito "civilizado", somos os primitivos, os selvagens, o feio, o esquisito, porque não nos rendemos e respeitamos a nossa cultura, fazendo com que esta prevaleça entre nós. Ainda não tomaram tudo que possuímos e não irão conseguir, porque possuímos um bem maior: a dignidade.

Somos mais de 225 etnias diferentes e mais de 170 línguas faladas, aqui no BRASIL!

Auere!

Yakuy Tupinambá - yakuy@indiosonline.org.br

Fonte: http://www.indiosonline.org.br/blogs/index.php?blog=4&p=1780&more=1&c=1%20Salvar