O GER - Grupo de Ensino Religioso - é espaço onde professores e pesquisadores divulgam estudos e experiências em Ensino Religioso, sobretudo, na Escola Pública.
6 de nov. de 2008
Educar para a diversidade
A Rosely Saylão escreveu post em seu blog com o título "Educar para diversidade". Penso que vale visitá-lo. Está muito bom, embora tenha o foco na escola particular, onde de fato acho que a situação seja mais séria.
Entretanto, na escola pública não é muito diferente. Hoje estava vendo documentos do finalzinho do século passado que tratavam da inclusão na escola. Ora, o tempo passou e poucos avanços concretos temos para celebrar.
Mas, veja agora, o texto da Rosely Sayão. Boa leitura. Clique aqui.
29 de ago. de 2008
A flor da honestidade
Conta-se que por volta do ano 250 a.C, na China antiga, um príncipe da região norte do país, estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.
Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.
Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da china.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc...
O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.
Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.
Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.
Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
Fonte: http://www.arquidiocese-bh.org.br/reflexaoes/lista.asp
Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.
Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da china.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc...
O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.
Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.
Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.
Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
Fonte: http://www.arquidiocese-bh.org.br/reflexaoes/lista.asp
29 de jun. de 2008
Por que o diferente nos ameaça tanto?
O artigo abaixo é de Angelina Garcia e encontra-se em:http://www1.uol.com.br/vyaestelar/lidar_com_as_diferencas.htm
Leia-o e boa reflexão!
Abraços,
Cícero.
Por que o diferente nos ameaça tanto?
por Angelina Garcia
É comum reconhecermos certo prazer em algumas pessoas ao se referirem a seus pares, seja nas relações afetivas, familiares, profissionais, como “iguaizinhas” a si. Perceber-se semelhante ao outro, conforta, apazigua, evita confronto, conflito. É assim como se o outro nos confirmasse, deixando-nos, portanto, seguros.
O contrário aconteceria frente ao diferente. Entretanto, diferença não significa necessariamente divergência, no sentido de afastamento, desarmonia, se considerarmos a idéia de completude.
Dizer que o outro me completa não diz respeito apenas ao fato de que ele sempre tem a me oferecer alguma coisa que não tenho, mas desejo ter, como conhecimento, percepção, por exemplo. Que aprendemos com o outro, já sabemos. Completar não deve ser entendido só como o acréscimo daquilo que identifico como falta em mim, mas também do que nem sei que me falta porque desconheço. É me despertar tanto para o que ignoro fora, como para o que ainda não percebi em mim. Mas ao mesmo tempo em que admito a necessidade humana dessa completude, esforço-me para controlá-la. Eis aí mais uma de nossas contradições.
Reconhecemos que haja sempre um outro lado servindo como referência; ou seja, uma coisa só é uma coisa na relação com outra que é outra coisa. A questão é o espaço que damos a essa outra coisa. Não se trata de questão moral, do tão propagado respeito à diferença, ou de aceitação do outro. Posso dizer que respeito, que aceito, quando ignoro, faço vista grossa, finjo não me incomodar, mas permaneço cercado pelas “minhas verdades”, como se pudesse, de fato, permanecer afastado; como se de algum modo pudesse me livrar da contradição que me constitui, livrar-me desse diferente, ou mesmo oposto que, em algum lugar, continua fazendo sentido em mim.
Trata-se de perder o medo da instabilidade ao sair da zona de conforto e colocar minhas verdades à prova. Considerar diferenças me ajuda a repensar posições, serve como parâmetro para que eu possa reafirmar ou jogar fora valores, convicções. Não há como fazer isso sem incômodo. É exatamente no incômodo que me obrigo a rever o que acredito ter de tão estável. Muitas vezes é preciso mergulhar no caos, no mal-estar que a diferença me provoca, para que se possam emergir novas idéias, novas sensações que me possibilitem transformações efetivas.
Leia-o e boa reflexão!
Abraços,
Cícero.
Por que o diferente nos ameaça tanto?
por Angelina Garcia
É comum reconhecermos certo prazer em algumas pessoas ao se referirem a seus pares, seja nas relações afetivas, familiares, profissionais, como “iguaizinhas” a si. Perceber-se semelhante ao outro, conforta, apazigua, evita confronto, conflito. É assim como se o outro nos confirmasse, deixando-nos, portanto, seguros.
O contrário aconteceria frente ao diferente. Entretanto, diferença não significa necessariamente divergência, no sentido de afastamento, desarmonia, se considerarmos a idéia de completude.
Dizer que o outro me completa não diz respeito apenas ao fato de que ele sempre tem a me oferecer alguma coisa que não tenho, mas desejo ter, como conhecimento, percepção, por exemplo. Que aprendemos com o outro, já sabemos. Completar não deve ser entendido só como o acréscimo daquilo que identifico como falta em mim, mas também do que nem sei que me falta porque desconheço. É me despertar tanto para o que ignoro fora, como para o que ainda não percebi em mim. Mas ao mesmo tempo em que admito a necessidade humana dessa completude, esforço-me para controlá-la. Eis aí mais uma de nossas contradições.
Reconhecemos que haja sempre um outro lado servindo como referência; ou seja, uma coisa só é uma coisa na relação com outra que é outra coisa. A questão é o espaço que damos a essa outra coisa. Não se trata de questão moral, do tão propagado respeito à diferença, ou de aceitação do outro. Posso dizer que respeito, que aceito, quando ignoro, faço vista grossa, finjo não me incomodar, mas permaneço cercado pelas “minhas verdades”, como se pudesse, de fato, permanecer afastado; como se de algum modo pudesse me livrar da contradição que me constitui, livrar-me desse diferente, ou mesmo oposto que, em algum lugar, continua fazendo sentido em mim.
Trata-se de perder o medo da instabilidade ao sair da zona de conforto e colocar minhas verdades à prova. Considerar diferenças me ajuda a repensar posições, serve como parâmetro para que eu possa reafirmar ou jogar fora valores, convicções. Não há como fazer isso sem incômodo. É exatamente no incômodo que me obrigo a rever o que acredito ter de tão estável. Muitas vezes é preciso mergulhar no caos, no mal-estar que a diferença me provoca, para que se possam emergir novas idéias, novas sensações que me possibilitem transformações efetivas.
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8 de jun. de 2008
SOBRE O PLURALISMO RELIGIOSO: NOVE RELIGIÕES DA HUMANIDADE
por Cícero C. Souza
AFRO-
BRASILEIRAS
|
BUDISMO
|
CRISTIANISMO
|
ESOTERISMO
|
ESPIRITISMO
|
HINDUISMO
|
JUDAISMO
|
ISLAMISMO
|
OUTRAS
|
Ao elencar "Nove Religiões da Humanidade" o objetivo é mostrar o pluralismo religioso, a diversidade dos modos de crer coletivos - chamados de religiões.
Não é tarefa do ERE emitir juízo sobre qualquer religião. Aqui, a tarefa é dar a conhecer através do estudo[1] a forma como as religiões aparecem.
No quadro acima reunimos - em ordem alfabética - nove configurações religiosas. Configurações porque cada uma delas demanda o exercício interpretativo para saber o que há embutido nesses verdadeiros conceitos-âncora.
Assim, ao falarmos em "Afro-Brasileiras" compreendemos que são religiões que têm a sua gênese seja na África seja no Brasil. Sobressai entre as religiões de matriz africana o Candomblé e, posteriormente com grande influência brasileira (do catolicismo popular e das religiões indígenas), a Umbanda. Entre as de matriz brasileira temos o Santo Daime, a Barquinha e "Pajelanças", entre outras tantas. Cabe ressalvar que os negros não deixaram a África para vir ao Brasil, mas eles foram seqüestrados na África, onde tinham suas religiões, e foram traficados como escravos para o Brasil-Colônia e para que o seu valor monetário fosse maior, eram sumariamente batizados, pois, o cristão - diziam os colonizadores - valia mais.
O Budismo configurou-se a partir da experiência histórico-religiosa do príncipe hindu Siddhartha Gautama, viveu no norte da Índia por volta dos séculos VI-V a.C. e que - teria atingido o estado de perfeição (buddha) e, assim, no fim da vida, chegou ao nirvana saindo do ciclo dos renascimentos.
O Cristianismo surgiu a partir da prática e dos ensinamentos de Jesus (um judeu de Nazaré) - chamado o Cristo por seus seguidores. Sua influência no mundo ocidental é enorme: influenciou inclusive o calendário que tem seu início marcado pelo nascimento de Cristo. Há várias igrejas cristãs que procuram levar adiante o legado de Jesus Cristo. Contudo, seu mandamento maior encontra dificuldades para florescer no coração da humanidade que ainda não ama o semelhante, mas, ao contrário, lhe faz a guerra.
O Esoterismo está ligado às práticas misteriosas, ocultas, que seriam conhecidas por poucos iniciados. Aqui, citaremos o horóscopo, a numerologia, as runas, a quiromancia, o tarot, as simpatias e todos os sistemas adivinhatórios.
O Espiritismo surgiu na França, no século XIX e difundiu-se com a organização dada por Hippolyte Léon Denizard Rivail - que adotou como pseudônimo o nome de um antigo sacerdote druida - Allan Kardec. Acredita que o espírito dos mortos pode se comunicar com o mundo dos vivos através de um médium. Quando um espírito torna-se evoluído, isto é, espírito de luz – dizem os espíritas -, ele não mais se reencarnará.
O Hinduísmo (ou Sanatana Dharma, que significa "Religião Eterna") é um conjunto de religiões da Índia. Terceira maior religião e considerada a mais velha religião ainda existente do mundo. A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos avatares da divindade suprema, Brahman, onde há uma tríade muito importante: Brahma, Shiva e Vishnu. Ele é baseado em textos religiosos desenvolvidos por vários séculos que contém insights espirituais e fornecem um guia prático para a vida religiosa. Entre tais textos, os antigos Vedas são normalmente considerados os de maior autoridade. As outras escrituras incluem os dezoito Puranas, e os épicos Mahabharata (onde está o Bhagavad Gita que é bastante conhecido) e Ramayana.
O Judaísmo é a religião dos judeus (sendo a mais antiga das religiões monoteístas). Religião monoteísta acredita em um só Deus – YHWH - que, para evitar blasfêmia, não dizem o nome, mas, às vezes chamado Adonai ("Meu Senhor"), ou ainda HaShem ("O Nome"). Tem na Torá - a Bíblia Hebraica - seu livro sagrado.
O Islamismo “é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão”. O islamismo “caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta acreditar num único Deus (Allah), rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadã, pagar dádivas rituais e efetuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.
E, por fim, as Outras, que não foram citadas - por exemplo, o xintoísmo, o bramanismo, o xamanismo, o zoroastrismo, etc..
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3 de jun. de 2008
Não há esporte sem regras...
por Cícero Clarindo de Souza
Uma idéia tem me perseguido nos últimos dias: "Não há esporte sem regras!" Ora, fico a pensar, como é possível alguém querer estudar sem cumprir regras.
A escola pública é meu lugar, minha praia, minha opção. Mas, as portas escancaradas (sinal da inclusão), também é sua fraqueza. Não que a abertura seja má. A abertura é boa. O que é mal é o escancaramento desregrado. A escola pública é mal-amada pelos poderes constituídos. Querem que ela faça milagres, mas não lhe dão condições.
A meu ver o maior problema da escola pública são dois, ambos decorrentes de um: a falta de autonomia. Ela não tem, sobretudo, autonomia administrativa. Ah! Estou pensando na unidade escolar. Não estou pensando na rede. Pois, a meu ver, a rede é constituída pela soma das unidades escolares. Se cada unidade escolar pudesse traçar o seu rumo, as suas diretrizes... Penso, a realidade seria outra.
Mas, para usar um termo de Elio Gaspari, em "Pindorama" a escola só é importante nas promessas eleitorais. Ora, não há problemas em ter avaliações sistêmicas. O problema está em que não há condições de trabalho sistêmicas.
É impossível ter escola de qualidade sem planejamento, sem tempo de preparação, sem estudo, sem pessoal suficiente para o trabalho.
O ambiente carregado de faltas, ausências de condições leva ao mal estar, ao adoecimento. Hoje em dia até as vacas leiteiras têm melhores condições de trabalho do que educadores. Pois, sabe-se que elas ouvem música clássica pra relaxar. O que ouvem os educadores?
Mas, ao fim e ao cabo, retorno ao princípio, todo esporte tem regras. Estudar é um dos mais belos esportes:
Quais são suas regras?
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22 de mai. de 2008
Ensino Religioso Escolar (E.R.E.) é diferente de Religião
por Cícero C. Souza
O QUÊ?
|
ENSINO RELIGIOSO
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RELIGIÃO
|
ESPAÇO
-> Lugar |
PROFANO
-> Escola
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SAGRADO
-> Igreja, Templo, Terreiro, Mosteiro, Sinagoga, Mesquita, etc.
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OBJETO
|
A VIDA (tudo)
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A(s) DIVINDADE(s)
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OBJETIVO
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A Busca do sentido profundo da vida; o estudo do fenômeno religioso
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O Encontro d@ religios@ com a(s) Divindade(s)
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MÉTODO
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O ESTUDO – A pesquisa, a pergunta
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Os RITOS – Celebrações, orações, despachos, oferendas, etc.
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SUJEITO
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@ Alun@
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@ Religios@
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MINISTRO
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@ Professor(a)
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SACERDOTES – O padre, o pastor, o babalorixá / a yalorixá, o imã (imame), o rabino, o xamã, etc.
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Tab.1 – Elaborada por Cícero C. Souza
O Ensino Religioso Escolar[1] (E.R.E.) é diferente dos ensinos dados nas diferentes confissões religiosas. A primeira diferença entre ambos é dada pela linguagem. No primeiro trata-se da linguagem das ciências, notadamente, das ciências das religiões e da antropologia. Já a linguagem religiosa por excelência é a da fé. Para o E.R.E. trata-se de conhecer. Para as religiões trata-se de crer. Ora, é possível conhecer para crer, mas, não é suficiente. A crença, a adesão está em patamar diferente do conhecer. Conhecemos para saber do que se trata, para não agirmos baseados em mera opinião, em pré-conceitos.
Ora, algumas diferenças entre o E.R.E. e as Religiões são apresentadas na tabela 1, acima. A primeira delas se refere ao espaço em que ocorrem. Então, recorreremos à terminologia de Mircea Eliade que distingue entre o sagrado e o profano. Assim, reconhecemos que o Ensino Religioso faz parte do espaço profano, pois é uma disciplina escolar, isto é, dada na escola. Diferentemente, o espaço da religião é o espaço sagrado, pois que lugar de encontro entre os religiosos e a divindade ou, dito de outra forma, lugar de manifestação (teofania) da divindade aos religiosos. Cabe, aqui, ressaltar que o E.R.E. acontece em um espaço singular-plural. O paradoxo aqui colocado se refere a que a escola é singular posto que é regida por uma lei geral, a do Estado (a Constituição Federal, por exemplo) que vale para toda escola. Por outro lado, a população atendida pela escola é plural, configurada nos mais diferentes matizes, de gênero, raça, religião e convicções.
Assinalamos que o objeto (formal) do Ensino Religioso é a Vida. E, que nos conste, tudo faz parte da Vida, seja a convivência de uns para com outros, seja a política, a religião ou mesmo a morte. Portanto, o E.R.E. pode trabalhar qualquer tema. Já o objeto (formal) da Religião é outro: a divindade ou as divindades, dependendo da religião, se é monoteísta ou politeísta.
No que se refere ao E.R.E. o seu objetivo é duplo. A busca do sentido (profundo) da Vida e o estudo do fenômeno religioso. Da religião, o objetivo é “possibilitar o encontro entre o religioso e a(s) divindade(s) em uma comunidade de crença”.
Também é diferente entre o E.R.E. e a Religião o método. Ora, o E.R.E. recorre ao estudo, fundamentalmente, à pergunta, à pesquisa para a consecução de seu fim (que é uma busca). A Religião já sabe qual é o seu fim. Então, ela expressa o encontro através de variados ritos: a celebração, a oração, a oferenda, os hinos, etc.
Agora, nos posicionaremos em dois aspectos finais diferenciadores. Trata-se do sujeito e do ministro. O sujeito do E.R.E. é o aluno: ele é – mais que aluno, estudante – pois, está vivo, vívido por conhecer, saber, inquirir. Numa palavra é buscante (e não nos esqueçamos que, via de regra, o aluno é um adolescente). O sujeito da Religião é o religioso. Ora, esse já chegou. Portanto, sua ação é de agradecimento, piedade, submissão à divindade que o criou e o sustenta. Num caso, a postura é de interrogação (o E.R.E.), em outro, é de admiração, de veneração. Do ministro falaremos no próximo parágrafo.
Ao ministro do E.R.E. cabe possibilitar que o aluno faça suas perguntas e encontre ambiente propício para respondê-las. Já ao ministro religioso cabe ajudar o religioso a encontrar-se com a(s) sua(s) divindade(s). Vale lembrar que enquanto o ministro do E.R.E. é o professor, o ministro da Religião é plural – visto que não há uma religião, mas várias. Assim é que a título de exemplo colocamos o padre e o pastor (pelo Cristianismo), o babalorixá e a yalorixá (pelo Candomblé), o imã, imane (pelo Islamismo), o rabino (pelo Judaísmo), o xamã ou pajé (Xamanismo): a lista é enorme. Vale ressaltar a pluralidade.
Para concluir, lembramos que o objetivo operacional do E.R.E., enquanto disciplina escolar, é que cada aluno-estudante conheça o mundo em que vive e conhecendo valorize a sua própria cultura e respeite a cultura do outro. Portanto, o E.R.E. visa à construção da paz em um mundo extremamente diversificado e, às vezes, intolerante.
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Estudos de Ensino Religioso
Praça da Estação, BH/MG
por Cícero C. Souza
Em janeiro de 2007 estive na Praça da Estação, em Belo Horizonte, MG. É um lugar amplo, simples e arejado. É lugar histórico. Faz parte da história do Brasil e faz parte da minha história. Meu pai conta que quando migrou de Alagoas para São Paulo passou por lá e comprou remédio numa farmácia das proximidades. No final de década de 80 participei ali de grandes manifestações cidadãs, notadamente os comícios do, então, candidato Lula. Atualmente, o prédio em vista abriga o Museu de Artes e Ofícios de uma lindeza e articulação de peças e tecnologia que só vendo. Em uma visita, enquanto meu filho se encantava com o sistema multimídia, eu contemplava as peças que tratam dos quefazeres do bicho homem.Vale uma visita!
Aliás, uma visita é necessária!
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