29 de jun. de 2008

Por que o diferente nos ameaça tanto?

O artigo abaixo é de Angelina Garcia e encontra-se em:http://www1.uol.com.br/vyaestelar/lidar_com_as_diferencas.htm

Leia-o e boa reflexão!

Abraços,

Cícero.


Por que o diferente nos ameaça tanto?
por Angelina Garcia

É comum reconhecermos certo prazer em algumas pessoas ao se referirem a seus pares, seja nas relações afetivas, familiares, profissionais, como “iguaizinhas” a si. Perceber-se semelhante ao outro, conforta, apazigua, evita confronto, conflito. É assim como se o outro nos confirmasse, deixando-nos, portanto, seguros.

O contrário aconteceria frente ao diferente. Entretanto, diferença não significa necessariamente divergência, no sentido de afastamento, desarmonia, se considerarmos a idéia de completude.

Dizer que o outro me completa não diz respeito apenas ao fato de que ele sempre tem a me oferecer alguma coisa que não tenho, mas desejo ter, como conhecimento, percepção, por exemplo. Que aprendemos com o outro, já sabemos. Completar não deve ser entendido só como o acréscimo daquilo que identifico como falta em mim, mas também do que nem sei que me falta porque desconheço. É me despertar tanto para o que ignoro fora, como para o que ainda não percebi em mim. Mas ao mesmo tempo em que admito a necessidade humana dessa completude, esforço-me para controlá-la. Eis aí mais uma de nossas contradições.

Reconhecemos que haja sempre um outro lado servindo como referência; ou seja, uma coisa só é uma coisa na relação com outra que é outra coisa. A questão é o espaço que damos a essa outra coisa. Não se trata de questão moral, do tão propagado respeito à diferença, ou de aceitação do outro. Posso dizer que respeito, que aceito, quando ignoro, faço vista grossa, finjo não me incomodar, mas permaneço cercado pelas “minhas verdades”, como se pudesse, de fato, permanecer afastado; como se de algum modo pudesse me livrar da contradição que me constitui, livrar-me desse diferente, ou mesmo oposto que, em algum lugar, continua fazendo sentido em mim.

Trata-se de perder o medo da instabilidade ao sair da zona de conforto e colocar minhas verdades à prova. Considerar diferenças me ajuda a repensar posições, serve como parâmetro para que eu possa reafirmar ou jogar fora valores, convicções. Não há como fazer isso sem incômodo. É exatamente no incômodo que me obrigo a rever o que acredito ter de tão estável. Muitas vezes é preciso mergulhar no caos, no mal-estar que a diferença me provoca, para que se possam emergir novas idéias, novas sensações que me possibilitem transformações efetivas.

8 de jun. de 2008

SOBRE O PLURALISMO RELIGIOSO: NOVE RELIGIÕES DA HUMANIDADE


por Cícero C. Souza
AFRO-
BRASILEIRAS
BUDISMO
CRISTIANISMO
ESOTERISMO
ESPIRITISMO
HINDUISMO
JUDAISMO
ISLAMISMO
OUTRAS
Ao elencar "Nove Religiões da Humanidade" o objetivo é mostrar o pluralismo religioso, a diversidade dos modos de crer coletivos - chamados de religiões.
Não é tarefa do ERE emitir juízo sobre qualquer religião. Aqui, a tarefa é dar a conhecer através do estudo[1] a forma como as religiões aparecem.
No quadro acima reunimos - em ordem alfabética - nove configurações religiosas. Configurações porque cada uma delas demanda o exercício interpretativo para saber o que há embutido nesses verdadeiros conceitos-âncora.
Assim, ao falarmos em "Afro-Brasileiras" compreendemos que são religiões que têm a sua gênese seja na África seja no Brasil. Sobressai entre as religiões de matriz africana o Candomblé e, posteriormente com grande influência brasileira (do catolicismo popular e das religiões indígenas), a Umbanda. Entre as de matriz brasileira temos o Santo Daime, a Barquinha e "Pajelanças", entre outras tantas. Cabe ressalvar que os negros não deixaram a África para vir ao Brasil, mas eles foram seqüestrados na África, onde tinham suas religiões, e foram traficados como escravos para o Brasil-Colônia e para que o seu valor monetário fosse maior, eram sumariamente batizados, pois, o cristão - diziam os colonizadores - valia mais.
O Budismo configurou-se a partir da experiência histórico-religiosa do príncipe hindu Siddhartha Gautama, viveu no norte da Índia por volta dos séculos VI-V a.C. e que - teria atingido o estado de perfeição (buddha) e, assim, no fim da vida, chegou ao nirvana saindo do ciclo dos renascimentos.
O Cristianismo surgiu a partir da prática e dos ensinamentos de Jesus (um judeu de Nazaré) - chamado o Cristo por seus seguidores. Sua influência no mundo ocidental é enorme: influenciou inclusive o calendário que tem seu início marcado pelo nascimento de Cristo. Há várias igrejas cristãs que procuram levar adiante o legado de Jesus Cristo. Contudo, seu mandamento maior encontra dificuldades para florescer no coração da humanidade que ainda não ama o semelhante, mas, ao contrário, lhe faz a guerra.
O Esoterismo está ligado às práticas misteriosas, ocultas, que seriam conhecidas por poucos iniciados. Aqui, citaremos o horóscopo, a numerologia, as runas, a quiromancia, o tarot, as simpatias e todos os sistemas adivinhatórios.
O Espiritismo surgiu na França, no século XIX e difundiu-se com a organização dada por Hippolyte Léon Denizard Rivail - que adotou como pseudônimo o nome de um antigo sacerdote druida - Allan Kardec. Acredita que o espírito dos mortos pode se comunicar com o mundo dos vivos através de um médium. Quando um espírito torna-se evoluído, isto é, espírito de luz – dizem os espíritas -, ele não mais se reencarnará.
O Hinduísmo (ou Sanatana Dharma, que significa "Religião Eterna") é um conjunto de religiões da Índia. Terceira maior religião e considerada a mais velha religião ainda existente do mundo. A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos avatares da divindade suprema, Brahman, onde há uma tríade muito importante: Brahma, Shiva e Vishnu. Ele é baseado em textos religiosos desenvolvidos por vários séculos que contém insights espirituais e fornecem um guia prático para a vida religiosa. Entre tais textos, os antigos Vedas são normalmente considerados os de maior autoridade. As outras escrituras incluem os dezoito Puranas, e os épicos Mahabharata (onde está o Bhagavad Gita que é bastante conhecido) e Ramayana.
O Judaísmo é a religião dos judeus (sendo a mais antiga das religiões monoteístas). Religião monoteísta acredita em um só Deus – YHWH - que, para evitar blasfêmia, não dizem o nome, mas, às vezes chamado Adonai ("Meu Senhor"), ou ainda HaShem ("O Nome"). Tem na Torá - a Bíblia Hebraica - seu livro sagrado.
O Islamismo “é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão”. O islamismo “caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta acreditar num único Deus (Allah), rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadã, pagar dádivas rituais e efetuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.
E, por fim, as Outras, que não foram citadas - por exemplo, o xintoísmo, o bramanismo, o xamanismo, o zoroastrismo, etc..


[1] A observação antropológico-fenomenológica.

3 de jun. de 2008

Não há esporte sem regras...

por Cícero Clarindo de Souza

Uma idéia tem me perseguido nos últimos dias: "Não há esporte sem regras!" Ora, fico a pensar, como é possível alguém querer estudar sem cumprir regras.
A escola pública é meu lugar, minha praia, minha opção. Mas, as portas escancaradas (sinal da inclusão), também é sua fraqueza. Não que a abertura seja má. A abertura é boa. O que é mal é o escancaramento desregrado. A escola pública é mal-amada pelos poderes constituídos. Querem que ela faça milagres, mas não lhe dão condições.
A meu ver o maior problema da escola pública são dois, ambos decorrentes de um: a falta de autonomia. Ela não tem, sobretudo, autonomia administrativa. Ah! Estou pensando na unidade escolar. Não estou pensando na rede. Pois, a meu ver, a rede é constituída pela soma das unidades escolares. Se cada unidade escolar pudesse traçar o seu rumo, as suas diretrizes... Penso, a realidade seria outra.
Mas, para usar um termo de Elio Gaspari, em "Pindorama" a escola só é importante nas promessas eleitorais. Ora, não há problemas em ter avaliações sistêmicas. O problema está em que não há condições de trabalho sistêmicas.
É impossível ter escola de qualidade sem planejamento, sem tempo de preparação, sem estudo, sem pessoal suficiente para o trabalho.
O ambiente carregado de faltas, ausências de condições leva ao mal estar, ao adoecimento. Hoje em dia até as vacas leiteiras têm melhores condições de trabalho do que educadores. Pois, sabe-se que elas ouvem música clássica pra relaxar. O que ouvem os educadores?
Mas, ao fim e ao cabo, retorno ao princípio, todo esporte tem regras. Estudar é um dos mais belos esportes:
Quais são suas regras?