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4 de nov. de 2009
Comentário a "Brasil" de Cazuza
Cícero Clarindo de Souza
1) O autor afirma que não o convidaram para uma festa pobre. E, aqui, é fundamental, não confundirmos festa pobre com festa de pobre. Ora, sabemos que festa pobre é festa ruim, com pouca comida e bebida. A música costuma ser horrível. Festa feita por pobre nunca é festa pobre, pois, há fartura de tudo, sobretudo, alegria. Essa festa pobre, a que o autor se refere, foi armada pelos homens para o convencerem... Que horror! Festa armada é arapuca, armadilha onde o dono da festa pretende obter vantagens ilegais e, com certeza, imorais de seus convidados. O personagem, sujeito da composição, a quem de ora em diante, chamaremos de cidadão, foi convidado a pagar sem ver toda a droga que fora produzida desde antes dele nascer. Mas, do que é que ele está falando? Ora, precisamos ir ao assunto principal da composição, resumido, no título: Brasil. Então, podemos concluir que o cidadão fala do sistema, da sociedade brasileira. Nela ele paga altos impostos e obtém droga, isto é, serviços públicos, rodovias e cuidados gerais do Estado com pouca qualidade (uma verdadeira droga). Essa droga vem desde antes de eu nascer (pois, o cidadão é jovem). Na verdade, essa droga vem desde o nascimento do Brasil, explorado como colônia e, posteriormente, com as benesses concedidas aos amigos do “rei de plantão”: as sesmarias, as capitanias hereditárias, etc.
2) A letra continua apontando contradições. Não oferecem nada pra aliviar a situação do cidadão que trabalha (nem um cigarro, essa droga que dizem aliviar tensões). O sujeito trabalha, trabalha e não recebe nenhum conforto. Favores, conforto... são reservados aos chefes. O cidadão vê as dívidas aumentando em proporção geométrica, com o uso do cartão de crédito, que feito navalha, de juros extorsivos, vai cortando o pescoço de chefes de família.
3) Pô, Brasil, mostra a tua cara! Sabemos que tem algo errado. Queremos saber quem está levando vantagem enquanto nós afundados nas dívidas e(x)ternas. Quem é (Brasil) o teu sócio no poder? Brasil, revela tua face! Sê fiel, confia em seus trabalhadores, seu povo , seus filhos.
4) Não fui contemplado pela sedução fantástica da TV; não me subornaram... Será que vou sobreviver, sendo honesto? A TV não está no ar pra informar. Ela está programada para vender: "Beba coca-cola!" Trata os cidadãos como tutelados que só podem dizer: - Sim, sim!
5) Brasil tão grande, tão pequeno... Não vou te trair. Não, eu não vou te trair! A hora é chegada. Acorda Brasil! Você é dos seus filhos, todos eles, não só a minoria. Vai Brasil... mostra a tua cara. Cara de trabalhadores, agricultores, sem-terras, indígenas, negros, pobres de todos os cantos do mundo. Brasil viva a justiça social. Brasil chega de demagogia!
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Um comentário:
Olá Cícero, muito boa a análise da música. Cazuza continua super atual em sua contudente crítica social e política.
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