por Neusa Eli Teixeira
INTRODUÇÃONa época de minha faculdade, fiz um artigo sobre a religião espírita, resultado de várias pesquisas bibliográficas e de campo. Não vou escrever aqui sobre essa religião, embora possa em alguns momentos citá-la, mas quero deixar o que aprendi com os conhecimentos que adquiri. Quero mostrar a todos os internautas, que, quando nos abrimos ao conhecimento muitos pré-conceitos podem ser quebrados.
CONHECER PARA LIBERTAR DOS PRÉ-CONCEITOS
Acredito que ao tomar conhecimento da religião do outro é possível compreendê-la melhor e assim tornar nosso relacionamento com o diferente mais harmonioso.
Muitas vezes escutamos coisas que nossos sentidos não compreendem. Pessoas que se referem à religião do outro com termos como “é feiticeiro” “é bruxo” e outras atrocidades. Um verdadeiro desrespeito com a prática religiosa que não seja a nossa.
Dizer coisas desse tipo sob a religião do outro sem conhecê-la, sem fundamentos teóricos, configura-se em grave preconceito para com as demais religiões e seus integrantes. Quando absolutizo a minha religião, vejo-a como única e verdadeira, não abro espaço para aceitar a do outro.
Hoje, ainda vemos muito pré-conceito em relação ao espiritismo e às religiões afros. Mas, supomos que isso faz parte de nossa cultura e que só poderemos nos libertar do pré-conceito a partir do momento que aprofundarmos nosso conhecimento em relação à diversidade religiosa. Afinal só seremos respeitados se soubermos respeitar os outros. Para que isso aconteça, é preciso conhecer, nos educarmos, humanizar, e, assim poderemos educar/humanizar o outro.
Ao tomarmos conhecimento das diferenças religiosas, abrimos um leque muito grande para conscientizar-nos que o respeito à diversidade religiosa é muito sério. Impossível será conviver e viver com o diferente sem saber aceitá-lo como ele é.
A ignorância, prepotência, intolerância e desrespeito de alguns, gera o preconceito. E este leva algumas pessoas a cometerem violência em nome da religião.
É de grande importância tomar conhecimento, independente da religião que fazemos parte, da diversidade de religiões existentes no mundo para podermos ser humanos. Saber como cada religião é significa praticar um ato de humanidade e de alteridade.
Muitas vezes o proselitismo é cometido nas escolas por falta de conhecimento. E isso acontece porque não buscamos fazer um estudo sobre as religiões. Como elas são e como vivem seus integrantes.
Na época em que cursei a faculdade, fiz uma entrevista com uma espírita de nascença. Tomo a liberdade, de colocar o que ela me disse na época: “Adquirir conhecimentos é bom para ajudar-nos a sair da ignorância e tornar-nos mais humanos. Procuro fazer isso todos os dias, pois como educadora devo respeitar os meus alunos”.
Quando lhe perguntei o que significa ser espírita, me respondeu: “amar e deixar ser amada. Não temos o direito de julgar nenhum ato religioso como certo ou errado, mas se acontecer é porque fizemos uso de nosso livre arbítrio, portanto somos os únicos responsáveis pelas conseqüências que vir dessa ação”.
Não posso deixar de lembrar as palavras tão sábias do professor do Instituto Santo Tomás de Aquino, frei Leonardo Lucas Pereira, na Audiência da Assembléia Legislativa do estado de Minas Gerais sobre Educação Religiosa de 29 outubro 2003, que diz: "Precisamos estudar a religião para entendermos um pouco a cultura. Não dá para entender o mundo de hoje sem compreender a religião".
Também, lembro das palavras de um professor de educação religiosa, que sempre diz: mesmo que esteja presente em uma reunião 99% de cristãos devo respeitar os que não são e estão presentes no local e também os que não estão presentes.
Isto é ser educador. Saber respeitar a religião até do ausente, pois sabemos que ele existe.
Viver com o diferente não é fácil, mas procurar conhecê-lo é necessário, é fazer–se humano.
Neusa Eli Teixeira - Pedagoga .
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